Quase dois anos após o encerramento do programa Desenrola Brasil, o número de pessoas inadimplentes voltou a subir no país. Desde o fim da iniciativa, cerca de 9 milhões de brasileiros passaram a integrar a lista de devedores, elevando o total para 81,7 milhões de consumidores com contas em atraso — o maior nível registrado desde 2012.
Criado pelo governo federal em julho de 2023, o Desenrola tinha como objetivo facilitar a renegociação de dívidas e reduzir os índices de inadimplência no período pós-pandemia. À época, o país já enfrentava um cenário preocupante, com mais de 71 milhões de pessoas negativadas, segundo dados da Serasa.
O programa teve duração aproximada de dez meses e apresentou resultados mais significativos entre a população de baixa renda, especialmente aqueles com ganhos de até dois salários mínimos ou inscritos no Cadastro Único. Nesse grupo, o número de inadimplentes caiu de 25,2 milhões para 23,1 milhões até o encerramento das ações, em maio de 2024.
Apesar disso, especialistas avaliam que o impacto foi limitado no longo prazo. Para a economista Ione Amorim, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), a iniciativa atuou de forma pontual, sem resolver as causas estruturais do endividamento. Segundo ela, muitos consumidores deixaram temporariamente os registros de inadimplência, mas continuaram enfrentando dificuldades financeiras.
Entre as primeiras medidas adotadas pelo programa esteve a retirada de registros negativos de dívidas de até R$ 100 dos cadastros de crédito, estratégia que buscava facilitar o retorno dessas pessoas ao consumo.
Diante do novo avanço da inadimplência, o governo avalia a possibilidade de lançar uma nova iniciativa voltada à renegociação de dívidas, enquanto o debate sobre soluções mais duradouras segue em pauta.
Por Redação





































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